A exposição a períodos de calor intenso, particularmente durante vários dias consecutivos constitui uma agressão para o organismo, podendo obrigar a cuidados médicos de emergência. Situações extremas de exposição ao calor intenso podem provocar complicações graves para a saúde, como: desidratação grave, cãibras, agravamento de doenças crónicas, esgotamento devido ao calor, insolação e até morte (1).
Decorrente da exposição solar podem surgir os escaldões (também designados por eritemas solares) que consistem em queimaduras provocadas pela exposição ao sol e pelos raios ultravioleta (UV). Ou seja, trata-se de uma resposta inflamatória da pele causada pela exposição à radiação (2).
As queimaduras solares da pele podem não ser imediatamente evidentes, mas passadas algumas horas, são acompanhadas por: eritema (vermelhidão) com um início de 3 a 5 horas após a exposição e com agravamento nas 12 a 24 horas seguintes, que geralmente desaparece em 5 a 6 dias; sensação de calor, em que a pele fica quente ao toque e parece latejar; dor local, com maior sensibilidade à pressão e temperatura; nos casos mais graves pode desencadear prurido, bolhas e edema. Os escaldões podem ainda provocar febre e deixar cicatrizes na pele (2).
As queimaduras solares dividem-se em três graus, em função da gravidade das lesões. As queimaduras de primeiro grau consistem num simples eritema, em que a pele fica vermelha, seca e dolorosa. Demora, em média, uma semana a sarar completamente e não deixa cicatriz na pele. Deve ser hidratada regularmente. Já as queimaduras superficiais de segundo grau caracterizam-se pelo aparecimento de bolhas vermelhas preenchidas com um líquido transparente, imediatamente após a queimadura, ou passadas algumas horas. A pele fica ultrassensível ao toque e são necessárias 2 a 3 semanas para sarar. Por fim, nas queimaduras profundas de segundo grau a pele apresenta bolhas, normalmente perfuradas, e sob estas bolhas, a derme está descolorada e a dor é moderada porque a pele está como se estivesse “anestesiada”. Este tipo de queimadura requer atenção médica (2).
Torna-se ainda importante diferenciar o termo escaldão de insolação. Um escaldão associado a tonturas, dores de cabeça, febre, arrepios e sensação de enjoo pode significar estar com insolação. Neste caso deverá procurar aconselhamento médico (2).
De salientar, que a nossa pele tem memória, por isso, todas as agressões solares a que for sujeito têm um efeito cumulativo, aumentando a longo prazo o aparecimento de vários problemas, como o cancro de pele (2).
No entanto, a prevenção é a melhor solução, pelo que em dias com temperaturas elevadas deve:
- procurar ambientes frescos e arejados;
- beber água ou sumos naturais com regularidade e mesmo que não tenha sede;
- evitar o consumo de bebidas quentes, alcoólicas, gaseificadas, com cafeína e ricas em açúcar;
- evitar a exposição direta ao sol nas horas de maior calor, nomeadamente entre as 11 e as 17 horas;
- aplicar protetor solar com fator 30 ou superior de 2 em 2 horas;
- usar roupas leves, soltas e de cor clara e preferencialmente de algodão e utilizar chapéu e óculos de sol;
- evitar atividades que exijam grandes esforços físicos, como desporto ou atividades de lazer no exterior;
- não permanecer dentro de viaturas estacionadas e expostas ao sol;
- fazer refeições leves e comer mais vezes ao dia;
- ter uma atenção especial face aos grupos de pessoas mais vulneráveis ao calor (como crianças nos primeiros anos de vida, pessoas com idade superior a 65 anos e portadores de doenças crónicas) (1).
Equipa de Enfermagem da CO
Referências Bibliográficas:
- SNS 24. (6 de outubro de 2023). Proteja-se contra o calor. Obtido de SNS 24: https://www.sns24.gov.pt/guia/proteja-se-contra-o-calor/
- SNS 24. (1 de agosto de 2023). Queimaduras solares. Obtido de SNS 24: https://www.sns24.gov.pt/guia/queimaduras-solares/


