A enfermagem é definida como a ciência global do cuidado.
Assiste e coordena as práticas do cuidado, não só na saúde dos indivíduos, como também nas famílias e comunidades onde se encontram inseridos.
Nesse sentido, o cuidado de enfermagem configura-se como uma prática social e empreendedora. A enfermagem tem a possibilidade de intervir, de forma criativa e autônoma, em diferentes níveis, seja na educação e na promoção da saúde, ou seja, na literacia em saúde, seja na reabilitação dos indivíduos (2).
No século XXI surgiram como palavras chave na prestação de cuidados de saúde: a capacidade de adaptação, a flexibilidade, a autonomia e a criatividade, face à diversidade populacional e aos padrões de morbilidade que se têm desenvolvido.
Assim, as novas tecnologias, a globalização da informação e o incentivo ao autocuidado e autorresponsabilidade na saúde, orientam para a necessidade de uma ajuda qualificada e colocam desafios para a mudança de paradigma na prestação de cuidados de saúde (1).
Compete ao enfermeiro promover a literacia em saúde nos pacientes e aos seus familiares. O papel do enfermeiro está focado na prevenção, mas também incide no processo educativo do utente, proporcionando-lhe segurança e bem-estar, por forma a reduzir a sensação de stress e de complexo de inferioridade que possa desenvolver (4).
Engloba a capacidade e habilidade de compreender o ser humano como um todo, acolher e compreender as diferenças sociais, e promover a interação e a associação entre os utentes, a equipe de saúde da família e a comunidade. (2)
A educação para a saúde é promotora de bem-estar e de ganhos em saúde para a pessoa e a comunidade.
Na carta de Ottawa (1986), a promoção da saúde é vista como um processo que capacita as pessoas a monitorizar a sua saúde de forma a melhor a mesma. Abrange a educação para a saúde, a prevenção e a reabilitação da doença.
O enfermeiro exerce assim um importante papel nos cuidados relacionados à qualidade de vida na Promoção da Saúde. A capacitação da pessoa em saúde permite mudar atitudes nos utentes e na comunidade, promover a adesão aos tratamentos, identificar e informar junto da pessoa os fatores que podem interferir no tratamento, como sejam, a prática de exercício, de uma dieta saudável e a participação ativa na sociedade. Ou seja, a saúde depende da qualidade de vida (3,7).
É indispensável capacitar a pessoa e habilitar as populações a uma aprendizagem ao longo da vida, preparando-as deste modo para as diferentes etapas no potencial desenvolvimento de doenças, como sejam as doenças crónicas e incapacidades (7).
Isto porque, segundo as previsões do desenvolvimento demográfico em Portugal, prevê-se um aumento da incidência de doenças crónicas incapacitantes gerando situações de dependência ao nível dos cuidados de saúde, o que impõe a necessidade de reorientar as respostas de saúde para uma maior participação da pessoa nos cuidados. A enfermagem, como parte integrante do sistema de cuidados de saúde, tem como foco de atenção a pessoa/família, pelo que é fulcral incorporar o autocuidado como uma estratégia explícita e permanente nos cuidados de enfermagem (7).
O enfermeiro, na sua relação profissional-utente, aporta conhecimentos de enfermagem e experiências clínicas, enquanto que o utente participa com o conhecimento experiencial e preocupações acerca da sua saúde. O Enfermeiro capacita e encoraja ativamente o envolvimento do utente na tomada de decisão (6).
A enfermagem perspetiva-se assim como a profissão do futuro, pela visão integradora da pessoa, não como portadora de uma doença, mas como um ser singular e complexo, capaz de continuamente se auto organizar e projetar como autor do seu processo de saúde-doença. Basta, assim, que a enfermagem invista em atitudes pró-ativas, capazes de promover e emancipar o indivíduo e a família como protagonistas da sua própria história (2).
BIBLIOGRAFIA:
- Andrade Marques da Conceição e Neves, M. M., (2012). O papel dos enfermeiros na equipa multidisciplinar em Cuidados de Saúde Primários – Revisão sistemática da literatura. Revista de Enfermagem Referência, III(8), 125-134.
- Backes, D. S., Backes, M. S., Erdmann, A. L., & Büscher, A.. (2012). O papel profissional do enfermeiro no Sistema Único de Saúde: da saúde comunitária à estratégia de saúde da família. Ciência & Saúde Coletiva, 17(1), 223–230. https://doi.org/10.1590/S1413-81232012000100024
- Bezerra, S. T. F., Lemos, A. M., Sousa, S. M. C. de, Carvalho, C. M. de L., Fernandes, A. F. C., & Alves, M. D. S. (2013). Promoción de la salud: la calidad de vida en las prácticas de enfermería. Enfermería Global, 12(4), 260–279. https://doi.org/10.6018/eglobal.12.4.172251
- Ismael, I.C.G.(2019). A importância do papel da enfermagem no processo assistencial em pacientes com queimaduras. Electronic Journal Collection Health, 23. DOI: https://doi.org/10.25248/reas.e209.2019
- Organização mundial de saúde. (1986). Carta de Ottawa para a Promoção da Saúde. 1ª Conferência internacional sobre promoção da saúde. Otawa, Canadá
- Pedro, J.J.B. (2009). Parceiros no cuidar: a perspectiva do Enfermeiro no cuidar com a familia, a criança Com doença crónica. [Dissertação de Mestrado em Ciências de Enfermagem]. Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar da Universidade do Porto. Repositório Aberto da Universidade do Porto. https://repositorio-aberto.up.pt/handle/10216/20171
- Pereira, M.R. (2012). A Promoção do Autocuidado na Pessoa em Processo de Transição. [Dissertação de Mestre em Enfermagem de Reabilitação, Escola Superior de Enfermagem de Coimbra]. Repositório Aberto da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra. https://repositorio.esenfc.pt/rc/


